Entidades ligadas a filme sobre Jair Bolsonaro receberam quase R$ 1 milhão de dinheiro público

Organizações ligadas ao diretor do documentário “Colisão de Destinos”, Doriel Francisco da Silva, sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), receberam mais de R$ 880 mil de dinheiro público entre 2024 e 2025, período no qual o filme foi produzido.
Em 2024, a produtora Dori Filmes, de propriedade do diretor, foi contratada pelo deputado Mário Frias (PL-SP) para prestar serviços de “divulgação da atividade parlamentar”. Entre abril e junho daquele ano, a empresa recebeu R$ 22.432,00 da cota parlamentar do deputado enquanto eram filmadas cenas do documentário. Na época, Frias afirmou que os gastos não tinham relação com a produção. “Absolutamente nenhuma cota parlamentar e nenhum outro tipo de recurso público foi utilizado na produção, gravação e divulgação do documentário”, disse em nota enviada ao Poder 360.

Doriel Francisco e Mário Frias durante as gravações de documentário sobre Jair Bolsonaro em junho de 2024 (Crédito: Reprodução/Instagram)

No mesmo ano, o parlamentar destinou R$ 180.000,00 em emendas à associação “Passos da Liberdade”, da qual Doriel é dirigente. A organização recebeu outros R$ 180 mil de emendas do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e R$ 500 mil do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), totalizando mais de R$ 860 mil reais pagos em fevereiro de 2025, conforme noticiado pelo Uol.
Os fundos, provenientes do Ministério da Cultura, teriam como objetivo a produção do filme “Genocidas”, documentário de curta duração que pretende “explorar e correlacionar os horrores dos genocídios históricos na Europa com fatos contemporâneos na América Latina”, segundo sinopse enviada à pasta.
Entre os gastos previstos estariam passagens e hospedagens em outros países como Hungria – visitada por Eduardo Bolsonaro no último mês – e Itália – visitada por parlamentares do PL em setembro de 2025. A associação também menciona parceria com órgãos internacionais, sem citar quais. “A Passos da Liberdade possui conexões globais, com projetos que transcendem fronteiras, incluindo produções audiovisuais realizadas em parceria com empresas e organizações internacionais”, diz o site.
O documentário “Genocidas”, no entanto, ainda não foi lançado nem tem data de estreia. O canal de YouTube da associação possui apenas um vídeo publicado: um documentário sobre a Operação Acolhida, com pouco mais de 30 visualizações. Questionada, a organização não respondeu sobre a relação de suas produções com políticos.
Já o filme sobre Jair Bolsonaro, produzido pela Dori Filmes, será lançado no dia 14 de maio deste ano. No último final de semana, o documentário foi exibido a convidados em pré-estreia em São Paulo, entre eles o deputado federal Hélio Lopes (PL-SP).

Hélio Lopes e Gil Diniz na pré-estreia do filme “Colisão de Destinos” em São Paulo (Crédito: Reprodução/Instagram)

O documentário não é a única produção sobre a vida de Bolsonaro com indícios de financiamento com dinheiro público. Reportagem do The Intercept Brasil revelou que entidades ligadas à roteirista do filme ‘Dark Horse’, cinebiografia em inglês do ex-presidente, também receberam milhões de reais em emendas parlamentares e até contratos com a prefeitura de São Paulo.

Matéria produzida por Ethel Rudnitzki, repórter especializada no combate à desinformação e checagem de fatos. Formada pela Universidade de São Paulo, fez parte das redações do Aos Fatos e da Agência Pública.

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