Uma das principais think-tanks de extrema-direita dos Estados Unidos atuou para classificar facções criminosas brasileiras como terroristas, medida anunciada na última quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado dos EUA.
Em março, a Heritage Foundation realizou um evento sobre segurança pública no qual o tema foi tratado. O Miami Security Forum contou com a presença de políticos e figuras da extrema-direita brasileira, entre eles o empresário Paulo Figueiredo – investigado pela trama golpista de janeiro de 2023 – e o deputado Luiz Philippe de Orleans (PL-SP).
Ambos participaram de mesa intitulada “Realinhamento político das Américas: implicações para o futuro da segurança hemisférica”, ao lado de congressistas do Chile, Colômbia e Honduras. “Falamos de PCC, CV, narcoterrorismo e até Foro de São Paulo”, revelou o empresário em post no X.

Outra mesa no mesmo evento, que contou com a presença do deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) e um senador mexicano também tratou do tema. “Mais que um rótulo: a necessidade de designar os carteis de drogas como grupos terroristas”, dizia o título da palestra.
As palestras foram fechadas para convidados e não contaram com transmissão virtual. Além de Figueiredo, Bilynskyj e Luiz Philippe de Orleans, o evento também contou com a presença do ex-deputado e ex-chefe da Abin, Alexandre Ramagem e do blogueiro Allan dos Santos, investigado por disseminação de desinformação e apoio a atos antidemocráticos.

Não foi a primeira vez que a Heritage Foundation tratou de organizações criminosas brasileiras. Um relatório publicado em 2024 comparou o cartel venezuelano “Trem de Aragua” com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Outro documento de 2008 da organização já mencionava o PCC como uma “uma facção prisional brasileira letal que mina a segurança no Hemisfério Ocidental”.
Com grandes contatos com o atual governo dos EUA, a Heritage Foundation é responsável por elaborar o relatório “Projeto 2025″, que inspirou o plano de governo de Donald Trump. Em agosto de 2025, um economista da organização foi nomeado para chefiar o Departamento de Estatísticas do Trabalho da Casa Branca.
Estendendo seus braços para o Brasil, a organização acompanhou uma comitiva de parlamentares brasileiros em Washington em março de 2024 e enviou representante a uma audiência pública no Congresso brasileiro em 2025.
A matéria é uma colaboração de Ethel Ethel Rudnitzki, repórter especializada no combate à desinformação e checagem de fatos. Formada pela Universidade de São Paulo, fez parte das redações do Aos Fatos e da Agência Pública.