88,2% dos consumidores já deixaram de comprar produtos das marcas associadas à desinformação, aponta pesquisa 

Pesquisa realizada pelo Sleeping Giants Brasil aponta que 88,2% dos entrevistados já deixaram de consumir um produto devido à associação de uma marca com discurso de ódio ou desinformação. Além disso, 94% das pessoas ouvidas na pesquisa concordam que deixariam de comprar um produto se seus anúncios fossem veiculados ao lado de conteúdos danosos. 

O levantamento ouviu consumidores alinhados com temas progressistas no Brasil. Eles acreditam, majoritariamente, que as marcas são socialmente responsáveis por onde seus anúncios são veiculados — e estão dispostos a deixar de utilizá-las quando aparecem ao lado de informações tóxicas.  

A pesquisa produzida pelo SGBR e conduzida pela Think Ads — nova ferramenta do movimento que atuará pela integridade da publicidade digital brasileira —, foi baseada em uma enquete com 466 participantes e indicou uma forte demanda por responsabilidade social no espaço da publicidade digital. 

Os resultados mostram que a grande maioria desses consumidores não apenas está ciente do ambiente da mídia digital, mas também está agindo. A pesquisa foi realizada por meio de um formulário compartilhado nos canais de WhatsApp, Telegram e nas redes X (antigo Twitter), Instagram, Bluesky e Threads, com predominância de pessoas ligadas a causas progressistas. 

Este segmento de consumidores relata uma alta frequência de contato com conteúdo enganoso, com 89,2% afirmando que frequentemente se deparam com desinformação em mídias digitais como sites de notícias, blogs e redes sociais. 

Expectativas com as marcas 

O estudo destaca uma expectativa clara de que as marcas sejam proativas. Um percentual de 85% dos participantes acredita que as empresas devem combater ativamente o discurso de ódio e a desinformação, haja vista que têm responsabilidade sobre onde colocam seus anúncios. Esse sentimento se estende às associações de marca: 87,7% concordam que as marcas não devem se alinhar a figuras públicas conhecidas por disseminar discurso de ódio e/ou desinformação. 

O senso de responsabilidade é distribuído por todo o ecossistema publicitário. Quando questionados sobre quem é responsável por anúncios que aparecem ao lado de conteúdo prejudicial, os respondentes apontaram: 

  • Anunciantes (91,6%) 
  • Agências de publicidade (88,4%) 
  • Sites de notícias (87,5%) 

Essa postura está enraizada nos valores pessoais desses consumidores. Um total de 88,3% considera as opiniões e os valores de uma marca ao tomar decisões de compra. 

Percepção de controle e impacto na identidade 

A pesquisa indica que os consumidores acreditam que as marcas têm o poder de controlar seus posicionamentos de anúncios. Mais de 63% dos entrevistados concordam com a afirmação: “A marca pode controlar onde ela é anunciada.” Quando uma marca falha em exercer esse controle, isso impacta diretamente a percepção do consumidor. De acordo com a pesquisa, 78% dos respondentes deixam de se identificar com marcas que foram associadas à desinformação. 

A pesquisa é publicada em um momento em que a responsabilidade social corporativa enfrenta um cenário global complexo. Algumas empresas internacionais estão reduzindo programas de diversidade e inclusão, como o Google, que no início do ano anunciou o fim de suas metas de contratação voltadas à diversidade e retirou trechos de seu relatório que afirmavam compromisso com DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão).  

Além disso, grandes empresas de tecnologia como a Meta anunciaram mudanças em suas políticas de verificação de fatos. Enquanto isso, o Brasil continua a debater a regulamentação das plataformas de mídia social — uma discussão que deve prosseguir em 2025. 

THINK ADS 

O Think Ads, que é um produto novo do Sleeping Giants Brasil, vai utilizar pesquisas aplicadas para revolucionar o mercado de publicidade e fazer com que as empresas não coloquem suas propagandas em sites com desinformação e discurso de ódio. O objetivo é criar um ambiente responsável, para que o dinheiro deixe de ir para conteúdos danosos e vá para sites e canais com informações de qualidade. É um jeito novo de pensar os anúncios. 

📎 Saiba mais em nosso site: https://sleepinggiantsbrasil.com/quem-somos/nossos-projetos/think-ads/

 

Quem assina esta reportagem: Texto de Licks, jornalista e ativista digital, membro da comunicação do Sleeping Giants Brasil. Arte: Upa.

Visão geral da privacidade

Este site usa cookies e ferramentas para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis. Confira nossa política de privacidade.