Os dados divulgados nesta segunda-feira (10), no Dia da Internet Segura, pela SaferNet Brasil revelam um avanço expressivo das denúncias envolvendo crimes de ódio na internet, com destaque para os casos de misoginia. Entre 2024 e 2025, as denúncias classificadas como violência ou discriminação contra mulheres saltaram de 2.686 para 8.728 registros, um crescimento de 224,9% em um ano, a maior alta percentual entre as categorias monitoradas pela organização.
Durante a abertura do evento do Dia da Internet Segura no Brasil, o presidente da SaferNet, Thiago Tavares, destacou também o aumento de 54% nas denúncias de crimes de ódio na internet. Entre os principais crescimentos estão a apologia e incitação a crimes contra a vida, que aumentaram 75,4%, e o neonazismo, com alta de 64,7%. Já as denúncias envolvendo imagens de abuso e exploração sexual na internet cresceram 19% no mesmo período.
Outro dado apresentado por Tavares diz respeito ao aumento da procura por ajuda. O Helpline da SaferNet, canal de orientação a vítimas, registrou crescimento de 115% nos pedidos relacionados ao vazamento de imagens de nudez e sexo sem autorização. Segundo o presidente da entidade, boa parte desses conteúdos foi criada com o uso de inteligência artificial. Pela primeira vez, a SaferNet recebeu relatos de pessoas que afirmaram ter sido vítimas de imagens íntimas vazadas criadas por IA.
As IAs foram grandes aliadas da misoginia, e a falta de regulação dessas ferramentas possibilitou que usuários despissem mulheres na internet sem se preocupar com as consequências. Um caso que gerou revolta mundial foi o Grok, chatbot de inteligência artificial da plataforma X, que passou a ser explorado por usuários para gerar imagens sexualizadas de pessoas a partir de fotos, incluindo pedidos para “despir” mulheres sem consentimento.
Arte: Claudio Franchini